No artigo anterior contei uma experiência que vivi com Timothy Gallwey durante um workshop do Inner Game.
Foi naquela quadra de tênis que compreendi algo que mais tarde se tornaria uma das bases da minha forma de trabalhar com pessoas.
O conceito transformador para mim é uma fórmula simples:
P = P − I
Performance = Potencial − Interferência
Com o tempo adaptei essa fórmula para algo mais alinhado à forma como enxergo o desenvolvimento humano:
R = P − OI
Resultado = Potencial − Obstáculo/Interferência
Fiz essa adaptação porque acredito que performance nem sempre significa resultado sustentável.
Resultado é tudo aquilo que retorna das nossas ações — ou da ausência delas.
E resultados verdadeiramente relevantes precisam ser sustentáveis. Precisam gerar equilíbrio. Precisam fazer sentido para a vida como um todo.
Ao longo dos anos percebi que a maioria das pessoas procura melhorar seus resultados da mesma forma: aprende algo novo, busca mais conhecimento, procura novas estratégias, investe em ferramentas.
Tudo isso pode ser extremamente valioso. Mas muitas vezes é como acelerar um carro com o freio de mão puxado.
O problema não está na potência do motor. Está naquilo que impede o movimento.
É por isso que uma pergunta passou a orientar boa parte do meu trabalho: o que está interferindo?
Potencial é tudo aquilo que a pessoa já possui: experiência, capacidade de decisão, conhecimento, visão, competência.
Quem ocupa posições de liderança geralmente não chegou lá por acaso. O potencial costuma estar presente.
A questão é que existe algo entre o potencial e o resultado: a interferência.
Interferência é tudo aquilo que acontece dentro de nós e reduz nossa capacidade de expressar plenamente o nosso potencial: pensamentos, crenças, medos, pressões, emoções.
Na quadra de tênis, minhas interferências apareceram rapidamente.
"Tem muita gente olhando." "Não posso errar." "Preciso acertar."
Foi justamente o excesso de força para acertar que me fez errar.
Talvez essa seja uma das constatações mais importantes da minha trajetória profissional: o problema raramente está onde a pessoa está procurando.
Muitas vezes ela acredita que precisa desenvolver uma competência. Quando, na verdade, precisa enxergar uma interferência.
A busca está direcionada para fora. A resposta está dentro.
Na liderança, essas interferências costumam ser muito mais silenciosas. E, exatamente por isso, mais perigosas.
Existe ainda um fator que amplia tudo isso: a solidão da liderança.
Quem ocupa posições de alta responsabilidade precisa decidir, direcionar e sustentar pessoas — muitas vezes sem ter com quem dividir verdadeiramente o peso que carrega. E quando a pressão aumenta demais, a interferência cresce junto.
Na minha experiência, algumas interferências aparecem com frequência:
Voltando à fórmula: se o potencial está lá — e na maioria dos líderes ele está — talvez a pergunta mais importante não seja:
"O que preciso desenvolver?"
Mas sim:
"O que está interferindo?"
P.s: na parte 3, trago essa reflexão para situações concretas que observo com frequência em líderes, empresários e profissionais de alta responsabilidade — continue lendo em "O custo invisível do sucesso".
Se você reconhece o potencial em si mesmo, mas sente que algo interfere no resultado, podemos conversar.
Quero conversar sobre isso